Trinta dias. Acho que nunca vim tantas vezes nesse site num intervalo tão curto como nos últimos tempos.
Mas faz sentido, afinal, quando tu não passa teu tempo flutuando entre uma tela e outra a troco de nada, meio que sobra um momento ocioso em que tu pode te dar ao luxo de lembrar que escreve — e que gosta disso.
Nesse 22 de janeiro completa literalmente 1 mês que não mexi mais no meu perfil no instagram, como eu já bem disse mais ou menos nessa postagem ali. Em 21 de dezembro eu tomei a decisão e ação, e já na manhã de 22 eu não mais o acessava.
Eu só sei resolver as coisas “de soco”, no susto, de supetão… enfim, não sei como tu (meu leitor metafórico, pq eu não sei se alguém tá aí) se refere quando algo é feito assim. Então, de soco, desativei.
Parece muito um papo de coach isso tudo que vai vir a seguir, mas eu prometo que não tenho um curso pra te vender no fim disso. Confia.
Nesses 30 dias, percebi meu tempo mental desacelerar.
Meus primeiros 12 dias desse detox sem aviso foi enquanto estive na praia. Foi a primeira vez, em tempos, que não postei nada publicamente.
Também foi o momento em que comecei a não mexer mais no celular depois que apagava a luz e deitava pra dormir.
Antes, eu só dormia quando já sentia meu olho cansar ou a quando a cabeça não aguentava mais olhar pra tela acesa na minha cara, ainda que com o brilho no mínimo e o modo noturno (desde sempre) ativado.
Eu percebi o passar dos dias sentido eles mais devagar. Parecia que demorava muito mais pra anoitecer e que as horas não voavam absurdamente mais. De repente é pq eu não tava mais em um looping de loucura, passando stories e perdendo minutos ou 1 hora editando algo no melhor ângulo possível pra postar e (talvez) ser visto em 15 segundos.
Eu criei e enfiei na minha cabeça, antes mesmo de viajar, o conceito de olhar pras coisas com olhos de ver e não de postar e a bateria do meu celular não poderia ter sido mais grata por essa decisão no início.
Voltando pra casa, pós réveillon, passei 6 horas dentro do ônibus de uma viagem que normalmente demoraria só 2h30/3h. Parece que todo mundo resolveu sair do litoral no dia 2 e assim todos nós passamos 2 horas parados na estrada antes mesmo de subir a serra.
Nessa de não ter rede social no momento, presenciei um vizinho de poltrona cronicamente online durante todo o percurso.
Enquanto eu ouvia absolutamente todos os álbuns e playlists que baixei no spotify pra usar sem internet e comia um pacote de Ruffles pra disfarçar as mil horas que eu tava imóvel ali, o desconhecido no outro lado do corredor simplesmente ia de uma rede social pra outra, passando por séries na Netflix, timeline do Twitter (eu não vou chamar de X), app de banco (???) e até o GPS — esse último, muito útil pra moça ao lado dele, indignada com a demora e tentando avisar a filha sobre onde ela ainda estava.
Vendo de fora a maratona dele de um lugar pro outro, eu pensei “meu Deus, se a internet cair ele vai desmaiar”.
Era um ritmo tão mais acelerado que o que eu embarquei e vivi naqueles primeiros 12 dias, que fiquei atordoada olhando. Eu não queria mais viver aquilo de novo pq, quando tu não tá fazendo parte, assusta de verdade ver a mãozinha pra lá e pra cá por horas.
Nessa, eu voltei a ler e a lentamente me exercitar. Ganhei de Natal o livro do Dave Grohl (O contador de histórias) e sinto que antes de janeiro acabar, vou vencer as 416 páginas que meu (no meu coração ele é) amigo (e, também, o que eu digo há quase 1 década, meu tio) Dave escreveu tão bem e de maneira tão divertida e emocionante.
A leitura já quase completa de 1 livro longo (o último que li tinha menos de 200 páginas e foi há muitos meses) e a realização de alguns pequenos cursos foram coisas que janeiro me trouxe. No ano passado eu não fiz praticamente nada disso.
Eu não quero ser a pessoa que fala contra rede social, nada disso. Na verdade, se não fosse pela internet e as redes, passar pela pandemia teria sido ainda mais penoso — tenho certeza. E quando se é super reclusa como eu e com total inabilidade de fazer amigos duradouros, só a internet me salva.
Mas, agora, do outro lado do negócio, eu lembro das várias e várias vezes que frequentemente fiquei doente por conta dessa mesma internet.
Toda vez que, por alguma razão, a energia cai, eu sinto um alívio interno por ficar sem conexão por umas horas. Eu nunca senti isso quando a internet chegou na minha casa pela primeira vez, lá em 2009. Mas isso pode ser assunto pra outro dia.
Negócio é que eu senti o tempo de outra maneira, mas ainda cogito voltar e dar uma espiada pelo insta, sim. Do contrário eu teria deletado de vez, algo que também penso.
Reativar, mas na santa paz e silêncio pra quem sabe dar o ar da graça por uma ou outra razão — mas sem me explicar, coisa que eu fazia muito e, sinceramente, pra quê? E aí desativar de novo e um grande abraço aos que ficam.
Esses 30 dias foram (e estão sendo) ótimos pra eu entender que nada é urgente de verdade em uma rede social (se fosse, eu receberia uma mensagem no Whatsapp) e que ninguém é tão importante assim online — nem eu e nem você.